

Vacinação contra Febre Amarela no Brasil




Reportagem da Folha de hoje (via página do UOL) sobre os riscos da vacina contra a febre amarela, que embora eficaz e segura, pode muito raramente causar até morte.
A reportagem lembra bem o que aconteceu em 2008, quando alguns casos de febre amarela silvestre, dentro do esperado para o momento, desencadearam uma situação de pânico levando ao uso desenfreado e abusivo da vacinação.
Por outro lado, a vacinação em massa foi a solução encontrada para controlar o surto de febre amarela na África, e pode vir a ser necessária em situações de risco de urbanização da doença.
OPAS PWR Brasil. 10 de janeiro de 2017 – A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) divulgou na tarde desta segunda-feira (9) uma atualização de alerta epidemiológico
Fonte: PAHO WHO | OPAS/OMS divulga alerta epidemiológico sobre febre amarela para as Américas
Foram contabilizados 12 casos da doença, com 5 mortes; governo recomenda que moradores de áreas de risco se certifiquem de que estão vacinados
Fonte: Ministério comunica OMS sobre suspeita de surto de febre amarela – Saúde – Estadão
Da série…nada é tão ruim que não possa piorar (continuação do post anterior).
O caso aconteceu nas proximidades da Mata Santa Tereza, em dezembro
Fonte: Prefeitura confirma morte por Febre Amarela em Ribeirão Preto
Preocupante, mas previsível. Aqui mesmo temos postado recentemente sobre a morte de macacos no Noroeste paulista por febre amarela, caracterizando uma epizotia. Dai para casos em humanos, como ocorreu em RP era mesmo uma questão de tempo. A reportagem sugere que a transmissão foi em área silvestre, mas com o verão e o início das chuvas a situação de infestação de Aedes em nossas cidades irá piorar muito. Isso tudo torna o risco de urbanização da febre amarela uma realidade.
Para piorar, a OMS praticamente esgotou os estoques de vacina para FA no esforço (bem sucedido) de conter o surto em várias cidades da Africa.
Sagui morreu em julho na Praça Luís de Camões, segundo a Prefeitura.Risco de epidemia é baixo, mas vacinação é necessária, diz infectologista.
Só para reforçar a importância do episódio: Apesar de se tratar de um caso em PNH (primata não humano), no caso um sagui, ele foi encontrado morto em uma área urbana, sugerindo que tanto pode ter se infectado lá, portanto com transmissão urbana de febre amarela, quanto pode ter se infectado em alguma mata próxima e levado o vírus para a área urbana, expondo os Aedes de lá a se infectar e posteriormente retransmitir o vírus para a população. Simples assim!!!
Não para por ai. Posts recentes relatam casos de PNH em áreas silvestre de São José do Rio Preto e Catanduva, não muito distante de Ribeirão Preto.
Termino o post transcrevendo o comentário do Dr. Rodrigo Angerami, editor da edição brasileira do Pro-Med mail, de onde essa notícia foi compartilhada…
Apesar de serem regiões com circulação/transmissão já conhecidas
no passado, distante e recente, as evidências esse ano vêm apontando para uma circulação, possivelmente, mais intensa e, eventualmente, com distribuição mais ampla. O ProMED-PORT vem reportando e alertando, em sucessivos posts (ver abaixo), sobre as implicações dessa maior circulação do vírus e a grande proximidade com áreas urbanas. Veja comentário anterior no post [ PRO/PORT> Febre amarela –
Brasil (10) (SP), primata não-humano, epizootia, suspeita Archive
Number: http://promedmail.org/post/20161015.4562637,
<http://www.promedmail.org/post/4562637> – Mod. RNA].Difícil apontar, no entanto, quais os determinantes que estariam
levando a essa possível maior circulação do vírus. Vale resgatar
um comentário do saudoso moderador do ProMED-PORT o Professor Luis Jacintho (Mod. ljs) no post [PRO/POR> Febre amarela silvestre, atualização – Brasil (13) Archive Number:
http://promedmail.org/post/20090510.1740,
<http://www.promedmail.org/post/1029610> : “Já comentei antes, vou repetir: a febre amarela não “avança”, ele sempre esteve no sul,
apenas, por motivos não ainda bem conhecidos, sua transmissão se
intensifica de tempos em tempos – ljs”].Dois pontos, um positivo e o outro negativo, devem ser ressaltados:
– a vigilância de epizootias aparentemente está sensível e
estruturada no estado de São Paulo, possibilitando detecção precoce
da circulação do vírus da febre amarela, mas…
– a morosidade para se obter (ou divulgar) o resultado confirmatório, no caso quase 3 meses após a suspeita de febre amarela no primata não-humano, pode inviabilizar a adoção de medidas necessárias em tempo oportuno.As ações de imunização dos susceptíveis deverão ser (na
realidade, já deveriam ou poderiam ter sido) intensificadas. Nesse
cenário, deve ser lembrado não apenas a necessidade para
sensibilização do sistema de vigilância (suspeição,
notificação, investigação…) de casos suspeitos de febre amarela,
mas também para (a possível) ocorrência de casos de eventos
adversos pós-vacinais graves (sobretudo doença neurotrópica e
viscerotrópica) dentre (as prováveis) inúmeras pessoas
(incluindo-se aqueles que apresentam contraindicação para vacina)
que irão procurar (necessária ou desnecessariamente) pela
vacinação.Vamos acompanhando…
– Mod. RNA
Exame foi encaminhado ao Adolfo Lutz para analisar possibilidade de febre amarela
Fonte: Após Encontrar Macaco Morto, Saúde Isola Área no Shangri-lá – O REGIONAL
Recentemente postamos aqui sobre uma situação parecida em São José do Rio Preto. Agora em Catanduva, bem próximo de S. J. Rio Preto. Mau sinal…

Fonte: Angola com novos casos de febre-amarela confirmados e 4.100 suspeitos – Observador
Já postamos aqui sobre a situação de transmissão de febre Amarela em áreas urbanas em Angola e alguns países vizinhos e sobre o risco que isso representa. Um grande esforço de vacinação foi empreendido nestes paises, enfrentando toda sorte de dificuldades, inclusive a venda clandestina de certificados de vacina. Recentemente o Ministério da Saúde de Angola e a própria OMS comemoraram que não havia registro de casos novos por semanas seguidas, sugerindo que a situação tinha sido controlada. Aparentemente ainda não é o caso.
Para os que não estão familiarizados: a vigilância de circulação do vírus da Febre Amarela em macacos é uma das pedras angulares do programa de controle da transmissão silvestre da doença.
Sempre que se encontra um macaco morto em alguma mata deve-se proceder a pesquisa dos sinais da doença na carcaça do animal. Se for confirmado (como nesse caso) sabe-se que há circulação do virus naquela localidade e, consequentemente, risco de transmissão da doença também para humanos.
Neste caso em particular o agravante é que a região em questão é frequentado como mo área de lazer e próxima à centros urbanos densamente povoados, aumentando não só o risco de casos em humanos, como também da urbanização da doença.