Risco de microcefalia causada pelo vírus da zika é de 1%, diz estudo

Reportagem do UOL/Folha sobre artigo recentemente publicado no “The Lancet”. Apesar de 1 % de risco de microcefalia em gestantes infectadas ser um número inferior ao de outras causas como por exemplo a infecção congênita pelo CMV, considerando o potencial explosivo das epidemias pelo Zika pode-se alcançar números absolutos bastante dramáticos.

Aqui o link para o site da revista com o artigo: Association between Zika virus and microcephaly in French Polynesia, 2013–15: a retrospective study

Dengue during pregnancy and adverse fetal outcomes: a systematic review and meta-analysis

imageDengue during pregnancy and adverse fetal outcomes: a systematic review and meta-analysis

Meta-análise publicada no “The Lancet” sobre um assunto que ainda vai dar muito pano para manga.

First Zika-linked birth defects detected in Colombia

imageFirst Zika-linked birth defects detected in Colombia

Aos poucos as evidências vão se somando. A Colombia só perde para o Brasil em número de casos, e o fato de até então não se estar relatando casos de microcefalia em suas gestantes infectadas causava espécie.

Zika pode prejudicar o feto em qualquer fase da gravidez – Notícias – Saúde

Reportagem sobre o artigo publicado na NEJM, também compartilhado aqui no blog. Para quem não se animou em ler o artigo em inglês, aqui vai um resumo simples no bom e velho português.

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Fonte: Zika pode prejudicar o feto em qualquer fase da gravidez – Notícias – Saúde

 

Governo ‘está chutando’ sobre zika e pode protagonizar ‘escândalo global’, diz professor – Notícias – Saúde

E a polêmica continua…

Fonte: Governo ‘está chutando’ sobre zika e pode protagonizar ‘escândalo global’, diz professor – Notícias – Saúde

Jornal Nacional (via PromedMail) – Sífilis na gestação sobe de quase 8 mil para mais de 28 mil casos

No Brasil, já são mais de 900 mil casos por ano. Neurologista diz que doença na gestação pode provocar microcefalia.

Fonte: Jornal Nacional – Sífilis na gestação sobe de quase 8 mil para mais de 28 mil casos

Já postamos neste blog algumas vezes sobre esse assunto. Aproveito para compartilhar o comentário do editor do PromedMail, Dr. Rodrigo Bauru Angerami:

Preocupante, sim. Embora nada de novo…

Possivelmente uma associação de diversos fatores, dentre os quais se
incluiriam a falta de políticas/ações de prevenção mais efetivas,
falhas na detecção e/ou tratamento precoces do binômio
caso/parceiro(a), falha no diagnóstico e/ou tratamento de gestantes
durante o pré-natal e, não se pode descartar, a indisponibilidade,
por um longo período, da penicilina nas apresentações benzatina e
cristalina.

Enquanto poder público e mídia, diariamente, atualizam os números
(muito dos quais, possivelmente superestimados) de microcefalia ainda
não confirmados como associados ao vírus Zika, nos últimos anos
(ver abaixo) o número de casos confirmados (e certamente subestimado)
de sífilis congênita não parecem causar (em grau minimamente
comparável ao que se observa em relação ao Zika) preocupação à
população, incômodo profissionais de saúde e vergonha às três
esferas do poder público.

Milhões vêm sendo empregados para o desenvolvimento/aquisição de
testes moleculares para detecção do Zika. Centenas de reais vêm
sendo cobrados em laboratórios privados para o diagnóstico da
infecção pelo vírus “debutante”. Enquanto isso, os bons, antigos,
baratos e acessíveis testes para diagnóstico da “anciã” sífilis
estão amplamente distribuídos mas parecem não estar sendo
utilizados como deveriam: para a triagem ampliada, diagnóstico ágil
e acessível de casos suspeitos, investigação de parceiros.

Pior. Outros muitos mais milhões de reais vêm sendo anunciados para
o desenvolvimento de vacinas candidatas e soro anti-Zika (!) para
tratamento de gestantes (!). Enquanto isso, além da falta de
abastecimento de uma lista composta por vários imunobiológicos
(incluindo-se vacinas contra hepatite B para recém-nascidos e soro
anti contra o letal vírus rábico), há uma escassez da quase
“octogenária” (e extremamente barata!) penicilina.

O controle e eliminação de doenças negligenciadas (dentre as quais
a sífilis congênita) que já se mostravam objetivos pouco tangíveis
frente aos problemas, desigualdades e paradoxos já existentes (e bem
conhecidos), agora, ficam ainda menos exequíveis (e mais
negligenciados) com a emergência do Zika e companhia, que além de
receberem quase todas as atenções e causarem (o previsível) temor
frente ao desconhecido, canalizam enormes esforços e vultosos
investimentos, muitos dos quais motivados por interesses diversos
(científicos, econômicos e ,por que não, políticos)…

Sobre os números: muito preocupantes, mas, antes de tudo,
vergonhosos.